Monday, October 22, 2007

O meu dia de hoje.

Uma chamada rápida, porque estavas quase a ir embora. Assim não havia hipótese de divagar demais. "Porque são as únicas, pelo menos por agora". Eu distante, seca. Por um lado foi bom, sim, sobretudo porque percebi que não mexeu cá dentro. "Agradecer por muita coisa". Não respondo. Vai ser bom para ti.
No meio de tudo isto, a loucura de achar que tenho tempo para tudo... e não é que nesta escala estou metida em 3 formações diferentes?... Vai ser lindo! Mas são todas fixolas... como diriam os putos.
Hoje a conversa com as minha colegas de serviço. O apoio. As minhas dúvidas e incertezas. A força. E depois o turno em que me ri tanto, mesmo quando mais apetecia chorar... Sim, porque levantes como os que fizemos hoje não dão muita vontade de rir, mas com algumas pessoas, tudo parece ter um lado bem humorado! Assim dá gosto! :)
Um dia deito-me às 22h na minha caminha... HOJE É O DIA! :) Tou exausta...

Sunday, October 21, 2007

Hoje é o dia.

Depois de mais uma manhã de trabalho e de uma tarde maravilhosa na companhia de pessoas que me fazem bem, chego a casa cansada, com fome e pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo.
Vejo as pessoas à minha volta a comprar casa (a casinha da Mara e do Luis é fabulosa!), vejo-as estabelecerem relações com perspectiva de andar para a frente, durante muito tempo... vejo-as. E olho para mim. 1001 projectos, 1001 coisas para fazer... mas sempre sedenta por mais... mais cursos, mais saídas, mais viagens, mais aventura... mais... (coisas que mexem cá dentro e de que não me apetece falar agora aqui).
Sinto também que algo falhou e que se desperdiçou algo importante. E hoje não sei bem lidar com isso. Sei demais. Adopto a postura de "não me interessa nada" mas no fundo questiono-me, interrogo-me, divago. E não é assim tão fácil. Apenas porque se calhar já tinha percebido mas não queria acreditar que fosse verdade, ou pior, porque talvez ainda agora não acredito que seja verdade.
Assim vai a vida... E lembrando alguns pacotes de açúcar maravilhosos que por aí andam (grande ideia Nicola! - o meu pai mata-me! EU a fazer publicidade a um café que não é Nestlé!!! Mas pronto... não bebam o café, fiquem só com os pacotes de açúcar...)...

"Um dia faço uma tatuagem...
Um dia ponho a mochila às costas e vou ver o mundo...
Um dia dou-te um beijo a meio de uma frase...
Um dia largamos tudo e fugimos os dois...
Um dia dançamos juntos no meio da rua...
Um dia juntamos as escovas de dentes...
HOJE É O DIA"
(o dia é quando quisermos,
mas têm mesmo de haver
dias assim na vida...
pelo menos na minha...
dias que são OS dias!)

Monday, October 15, 2007

É bonita, é bonita e é bonita!

"Viver...
E não ter a vergonha de ser feliz.
Cantar...
E cantar, e cantar...
A beleza de ser um eterno aprendiz...
Ai meu Deus!
Eu sei...
Que a vida devia ser bem melhor e será...
Mas isso não impede que eu repita...
É bonita, é bonita e é bonita!"

(Gonzaguinha - Viver e não ter a vergonha de ser feliz)

À Pipa, por me mostrar a música :)
A mim, e a quem me rodeia, por ter alcançado a capacidade de acreditar nestas palavras, até nos momentos mais difíceis, mais tristes, mais duros da vida. Na solidão ou nos dias em que estamos rodeados de gente de quem gostamos... "fico com a pureza da resposta das crianças... é a vida, é bonita e é bonita"...

Sunday, October 7, 2007

Quando as palavras não chegam para exprimir o que me vai na alma.


" (...) Don't you think you've done enough
Oh, don't you think you've got enough, well maybe…
You don't think there's time to stop... stop.
There's time enough for you to lay your head down,
Tonight
Tonight
Let it wash away
All those yesterdays (...)"

Saturday, October 6, 2007

Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

A morte. Sim, essa palavra dura, que corrói, que custa a dizer. Esse momento inevitável na vida, o único verdadeiramente inevitável. Esse tema ainda tabu. E tudo o que podemos fazer para tornar esse processo, esse processo de morrer... mais calmo, mais acompanhado. Sem medos, sem receios. Ou com todos eles, mas com a capacidade para aceitá-los e falar sobre eles com alguém. Não é fácil, de todo. Por isso existem associações como a Amara. Hoje pude celebrar com eles a vida, em festa, sem esquecer a morte. Sim, caíram algumas lágrimas mas foram libertadoras. Aquelas lágrimas que noutras situações guardo para mim porque estou a trabalhar e aquela pessoa, aquela família, precisam de mim. E eu tenho de tentar ser um pouco mais forte. Tentar, porque nem sempre é possível. E sou enfermeira, sim. Mas pessoa também.

Não podia deixar de escrever aqui algumas das coisas ditas e lidas hoje que me marcaram e sobre as quais penso ser importante e tranquilizador reflectir. Importante porque este assunto tem de deixar de ser sussurrado. Tem de ser falado em voz alta. Tem de ser assumido como uma fase da vida, mais uma, que precisa que se olhe para ela com atenção. Pensa-se na importância do apoio ao recém-nascido, à criança, ao jovem, ao adulto ou ao idoso. Esquece-se que todos eles precisam desse apoio, sim, mas por vezes esse apoio passa pelo seu acompanhamento na caminhada para a morte. Há que deixar, de uma vez por todas, de viver baseados na "conspiração do silêncio" face a esta temática. Tranquilizador porque percebemos que todos têm as mesmas ansiedades e dúvidas. Porque vemos que não estamos sozinhos.

"Permitir a expressão da dor. Sem regras. (...) Porque em muitos casos só em silêncio se pode projectar um significado. (...) Ninguém chega sozinho a lugar algum. (...) Cuidar é (por isso) também acolher lágrimas pesadas."

E recorrendo ao livro "Viva a Vida", uma história sobre a morte, para crianças. Nele, os testemunhos de crianças que lidaram com a morte de uma colega de turma ou que elas próprias sofrem de uma doença provavelmente fatal, fazem-me pensar que eles sim, eles sim sabem do que estão a falar.

"A morte é uma nova vida, mas não presente na terra. (...) Lá por as pessoas morrerem, a alegria de viver não se vai embora. Mas lá por a alegria não ir embora, nós ficamos marcados por algum tempo." (Karol, 8 anos)

" (...) Eu acho que toda a gente tem direito de viver e ser feliz até morrer. Eu também vou morrer um dia." (Márcia, 11 anos)

"Vida: não interessa quem tu és. Só interessa como és por dentro." (Jacob, 8 anos)

How deeply you're connected to my soul?...

"Não tenho medo da morte,
tenho pavor da distância entre a vida e a morte...
a saudade."
(mãe de uma criança doente)

"Quando as palavras não chegam para
exprimir o que me vai na alma..."

Tuesday, October 2, 2007

Simplesmente existem um para o outro.




Eles ali parados. O respeito de estarmos perante animais poderosos, fortes, imponentes. Amarelo, aquele amarelo acastanhado deles, no meio do amarelo da savana. Olhos felinos. Lembramos o Simba, o Mufasa... aquelas histórias de outros tempos tão actuais. Sabemo-las nossas naquele momento.
Com as zebras atrás, poderíamos pensar que planeiam um ataque. Logo nos é explicado que durante aquela semana não comem. Simplesmente existem um para o outro. Sim, o amor paira na savana. Durante uma semana farão amor cerca de 80 vezes por dia (leram bem!).
Continuam ali os dois, parados. Descansando. Apreciando a brisa ligeira que se faz sentir.
De repente, ela levanta-se. Aproxima-se dele. Ele percebe, unem-se, num momento curto, mas imensamente bonito (e nós temos a oportunidade de o testemunhar). Ouvem-se rugidos e separam-se. Ele acompanha-a com o olhar, enquanto ela se afasta ligeiramente para ir beber um pouco de água.
Pouco tempo depois, estão novamente juntos, descansando mais uma vez, aguardando ambos que ela se levante de novo e se aproxime dele, uma vez mais.

Crianças.







Longos trilhos traçados pelo pó levantado de uma carrinha que nos transporta para todo o lado. Ao longo desses caminhos gentes, vilas e aldeias. Casas de mil e uma cores, anunciando todo o tipo de marcas. Mas são elas, sim, as crianças. São elas que mais nos chamam a atenção.
O adeus lançado na beira da estrada, sorriso aberto sem qualquer falsidade. A pele escura contrasta com a claridade e brilho do seu olhar. A liberdade de andar por todo o lado, naquela terra rica em tanta coisa, transparece. Talvez lhes falte algo, talvez mais do que muito, mas têm uma liberdade que nenhuma criança cá tem.
As mais pequenas, andam sempre no aconchego das mães, envoltas naqueles panos que as aproximam.
As maiores, correm, brincam... sem horas, rumo ou objectivo concreto.
Nós limitámo-nos a olhar para elas e absorver um pouco da sua energia. Jambo!, gritávamos das janelas. E rapidamente desapareciam, à velocidade de uma carrinha que não pára...