Perguntas que sabia que iriam surgir. Perguntas para as quais talvez já soubesses, lá no íntimo, as respostas, mas que tinhas de ouvir por alguém que as pudesse confirmar. Como estão eles? Eles, muitos deles, a maioria, já não estão entre nós. Dureza em palavras que não conseguimos tornar mais leves. A morte traz isso consigo muitas vezes, dureza. Mas traz tudo o resto também... saudade, memórias, recordações, os momentos que só nós, e mais ninguém, partilhou com aquele doente, com aquela família... e que foram bons, difíceis mas bons. E os que não foram tão bons? Ajudam-nos a pensar como os tornar melhores da próxima vez. Não há livro algum que nos dê receitas sobre "o que fazer como enfermeira em situações de doença terminal"... e se dá, não é um bom livro. Existem muitos sim, que nos ajudam a reflectir práticas. Esses sim, vale a pena ler. E vale a pena ler-mo-nos a nós mesmos, ao que fizemos e não fizemos, à razão que nos levou a fazer ou não fazer, o que nos assustou, o que dissemos quando ele nos disse "vou morrer no hospital", o que sentimos então, o que fomos capazes de fazer e o que nos assustou demais e nos impediu de dar um passo mais neste percurso.
Mas só o simples facto de nos questionármos mostra que não passou ao lado... e se não passou ao lado é porque valeu a pena. Doeu? Custou?.... E agora?... Depois de tudo, valeu a pena ou não?
Esta é dedicada a ti, V., pelo mail que me mandaste e pelo mail que irás receber como resposta... e a todos, aos 9, porque acreditem, valeu a pena.