Thursday, February 17, 2011

Aquelas noites boas. Noites de jantar num restaurante pequeno, com ambiente calmo, só para nós. Naquele bairro lisboeta das noites longas. Noites de conversas boas, gargalhadas, partilha da nossa vida e do nosso quotidiano. Noites de amizade, aquela que não se explica, a que está sempre presente, a que nos preenche e nos anima. Noites de bares com música ambiente boa, na Bica, até nos mandarem embora porque era a hora de fechar. E noites de boleia, em que a conversa se prolonga até às quatro da madrugada, dentro do carro, à porta de casa... sobre as coisas da vida.

Monday, February 14, 2011

Uma homenagem aos meus amigos...

Friends will be friends... when you're in need of love, they give care and attention. Friends will be friends... when you're through with life and all hope is lost, hold out your hand cause friends will be friends... right to the end...

http://www.youtube.com/watch?v=gWPJW-BFYMc&feature=related

É aquele espaço em que se sente, sem mais. Em que se vive intensamente e se tenta não pensar muito nisso. O tempo em que o tempo pára, ou não... É o toque que percorre o corpo, o beijo que se dá. São os abraços enroscados num calor que emana do corpo, porque lá fora está frio. É a mão que se dá, a conversa que não acaba. É a provocação ou a tentação. É o que é, sem outras definições complicadas.

(Then I wake up... and it was all just a dream...)

Sunday, February 13, 2011

Era uma vez dois pequenos porcos-espinhos que, tendo perdido a sua mãe, tinham frio durante a noite. Eles tentaram aproximar-se um do outro, mas com esse contacto, eles feriam-se; decidiram então afastar-se e aperceberam-se que tinham frio de novo. Após algumas tentativas de aproximação e de afastamento, concluíram que precisavam de encontrar a distância certa entre a intimidade excessiva e a separação.

Wednesday, February 9, 2011

Dia bom...

... no trabalho...
a calma que nos dá o tempo de fazer tudo com mais atenção, com mais cuidado, com um pouco mais do carinho que, acredito, também tem de ser posto naquilo que fazemos. Tempo de poder sentar-me, durante 45 minutos, na beira da cama de um doente, e simplesmente, falar com ele... perceber quais as suas expectativas em relação à doença, os seus medos, os seus desejos... a frase dura, mas ao mesmo tempo, incrivelmente esclarecedora - "tenho esperança de vida, mas não com a qualidade de vida que ambicionava"... A relação, que no final daquela conversa, ficou mais do que consolidada... ali, naquele pequeno bocado, abri portas para que nunca fiquem dúvidas ou anseios, porque consegui mostrar disponibilidade para ouvir... e gosto muito quando isso acontece. Uma relação começada, provavelmente ontem, quando a ele me dirigi para puncionar duas, sim, duas veias... como se começa essa relação ao inflingir dor a alguém? Puxando uma cadeira quando o fazemos, explicando o que vamos fazer, falando com a pessoa calmamente... não tendo medo de tocar, dar a mão, enquanto explicamos, se sentimos que do outro lado tal é necessário.
... também à tarde...
de lanche tranquilo, boa conversa... o tempo que passa a correr...
... e no treino de capoeira...
a emoção de notar que respondo melhor no jogo, que me mexo mais, que consigo tantas e tantas coisas que me pareciam impossíveis ainda há pouco tempo atrás, quando em Outubro decidi fazer isto por mim. Mais uma vez, uma importante decisão que tomei.
... já de noite...
com uma boa conversa no sofá, com a minha mãe, enquanto como uma sopa bem deliciosa...

Sunday, February 6, 2011

Lidar com a morte... não a morte física, do coração que cede, do corpo que pára de lutar. A morte acompanhada por sentimentos de tristeza, de angústia, de ansiedade. Da família que não se resigna ao sofrimento, à demora e à espera. Da pessoa que sempre disse que não queria sofrer e que gostaria que tudo fosse rápido. Da filha, adolescente, que se vê sozinha no mundo, após ter perdido, com 16 anos, o irmão, a mãe e, connosco, o pai. A morte como geradora de solidão, mas também de união. Os desejos, as vontades e os pedidos nos momentos ou dias que lhe antecedem. A tranquila, sem dor, sem sofrimento... e aquela em agitação, inquietude. O olhar vago. O silêncio... de quem sabe o que dizer, mas também sabe que não é necessário dizer nada. A lágrima e o choro compulsivo. As memórias e lembranças. As histórias de uma vida que terminou.
Essa morte... e inspirar todos os dias bem fundo, para conseguir lidar com ela.

Friday, February 4, 2011

Espaço, tempo, conversas e sensações. Olhos nos olhos.