Sunday, January 11, 2009

Despedidas.

Hoje foi um dia de despedidas. Das que custam e deixam saudades. De ti, que tiveste hoje aqui, no nosso 3.1, o teu último dia de trabalho. Agora vais-te dedicar a 100% aos estudos. Acho bem. Não deixo, no entanto, de dizer que vais fazer falta. Perde-se um dos melhores elementos do serviço. A tua forma de estar, o teu profissionalismo... e por outro lado o teu humanismo, as brincadeiras, a tua amizade. É evidente que não te perdemos... que virás cá e nos encontraremos tantas e tantas vezes em jantaradas e cafézinhos. Mas não deixámos, hoje, as duas, de dar um abraço lagrimado... o abraço das decisões difíceis, das incertezas, do "até já". Força "miúda"! És uma mulher de armas!

Tudo de bom...

Wednesday, January 7, 2009

2009

Muitos escreveram sobre 2009. Sobre o que esperam, sobre as decisões que tomaram.
Eu espero-o. Espero os momentos de surpresa, de aventura, de brilho nos olhos. Espero a descoberta, de mim e do mundo. Dos outros. Espero atrever-me e que se atrevam. Espero alguém. E tenciono ir vivendo, sem sufocar, para encontrar tudo isso. E ir lutando...
Que seja um ano magnífico, para mim e para todos, e que, em tempos de crise como os de hoje em dia, ganhe a alegria, o amor, o carinho e a partilha. O espaço pode ser pequeno... o que importa é como se enche esse espaço. A passagem de ano, numa sala apenas, foi exemplo disso. Nós enchemos o espaço e preenchemo-nos. É sempre assim, e é tão bom. Obrigada por isso!
Wellcome to 2009... :)

Viagem nunca feita (II)

E assim escondo-me atrás da porta, para que a Realidade, quando entra, me não veja. Escondo-me debaixo da mesa, donde, subitamente, prego sustos à Possibilidade. De modo que desligo de mim, como aos dois braços de um amplexo, os dois grandes tédios que me apertam - o tédio de poder viver só o Real, e o tédio de poder conceber só o Possível.
Triunfo assim de toda a realidade. Castelos de areia, os meus triunfos?... De que coisa essencialmente divina são os castelos que não são de areia?

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Sunday, December 28, 2008

O melhor presente de sempre.

O convite que surgiu do nada, numas breves palavras escritas num diário oferecido. As lágrimas que rebentam de imediato. Fui totalmente apanhada de surpresa! Mas estou extremamente feliz! Além de tia da linda Noa vou também ser sua madrinha.
Meu anjo... agora que cada vez mais és parte de nós e nós parte de ti e o amor que nutrimos por ti é inexplicável... espero que eu seja sempre a melhor madrinha possível. Tu mereces :)

Natal no Hospital.



Um Natal diferente. Sim. Um Natal no Hospital. Não como os que se vê naqueles programas horríveis na televisão, cuja intenção é boa, não o nego, mas não mostra a realidade do que é um hospital por estas datas... as pessoas não estão felizes, contentes por passarem estes dias num ambiente que não é o delas. Não estão com um sorriso na cara por estarem tão doentes que não puderam ir para casa. Não estão. Vamos fazendo o que podemos para os animar. Uns mais facilmente que outros, porque também já nos conhecem há muito tempo. Outros, sem sucesso... nem com os adereços de rena ou de Pai Natal. E nós, sim, também nós sentimos a falta do nosso Natal. Aquele no aconchego da família. No quentinho de uma casa aquecida com os sorrisos de quem nos quer bem. Tentamos andar felizes, mas o serviço não ajuda. Está pesado, os doentes, muitos deles, estão mal e sozinhos, sem ninguém que lhes dê, pelo menos, um beijinho de Feliz Natal. Precisam de nós para tudo, para a mais elementar das tarefas do dia a dia. Distribuimos bolos e salgados, dizemos que é a nossa prenda de Natal. Uns sorriem, agradecem... outros pouco expressam. A alguns nem vale a pena dar nada porque não estão cá. Deixaram de estar há já algum tempo e esperam, em silêncio, que o seu corpo também deixe de estar. Imagem cruel para quem lhes é próximo e os recorda no auge da sua vida, irradiando energia, e não os pode ter a seu lado nesta noite especial.
Foi bom e foi mau. Teve momentos que irei recordar sempre com carinho e momentos de saudade e vontade de não estar ali. Faz parte. O que interessa é que tentámos que fosse o melhor possível, para nós e para quem partilhou aquelas 16h connosco. Demos a presença que evaporou, por uns segundos que fosse, a solidão de alguns. O sorriso que desvaneceu a tristeza. O bolinho que adoçicou a boca seca. A mão que dá a mão por uns segundos.

Feliz Natal...

Thursday, December 18, 2008

Irmãos.









Um dia na praia do Amado,
há uns anos atrás.
Os anos passam...
mas o "nós" não muda.
Irmãos... :)

Monday, December 15, 2008

Cuidar na morte.

Alguns meses do meu treino oncológico foram passados na unidade da dor e cuidados paliativos. Gostei tanto que estive para fechar a loja e mudar de ramo. Pode parecer estranho, mas era altamente gratificante cuidar dos doentes nos seus últimos dias. Aliviar-lhes a dor, restaurar algum apetite, garantir que dormiam, atenuar as náuseas. Usar morfina sem receios de apressar a morte, ajudar a dormir sem medo de antecipar o último sono, que importante mesmo era que o doente não se despedisse da vida com más recordações. E depois, chegada a hora, correr as cortinas e deixar partir, em intimidade, mas não em solidão.
Sinto Muito
Nuno Lobo Antunes